Aqueles que Matam – 2019

Três visões obscuras do rosto da protagonista de "Aqueles que Matam"
Tempo aproximado de leitura: 4 minutos -


A série dinamarquesa “Aqueles Que Matam” (Den som dræber – Fanget af mørket), lançada originalmente em 2019, é um reboot da série homônima de 2011 e foca na caça a criminosos em série através do perfil psicológico traçado por uma impressionante protagonista feminina.

Produçao e Direção Feminina

Há uma forte presença feminina na liderança criativa e na produção da série. A “alma” do reboot de 2019 é predominantemente feminina, o que ajuda a explicar a profundidade dada à protagonista.

Temos a oportunidade de ver Louise errando e acertando, sentindo medo e vergonha, e nosso olhar pode ver todas as faces e nos familiarizarmos, independente do gênero, com suas dores e aflições.

Não é uma série cheia de ação, mas tem um ritmo bom, embora se aprofunde nas personagens nos permitindo empatizar, e simpatizar com os sujeitos.

Mas ao mesmo tempo há que se ter cautela pois há momentos de violência explícita que pode causar gatilhos.

Sinopse (1ª Temporada – 2019)

A trama acompanha o detetive Jan Michelsen na investigação do desaparecimento de uma jovem em Copenhague. Convencido de que o caso está ligado ao sumiço de outra garota ocorrido há dez anos, ele recruta a psicóloga e especialista em perfis criminais Louise Bergstein. 

Louise, a protagonista, é orientadora de um grupo de apoio a mulheres vítimas de estupro e abuso, e é chamada a auxiliar e perfilar crimes do mesmo motivo.

  • O Conflito: A dupla mergulha na mente de um assassino implacável, tentando prever seus próximos passos antes que novas vítimas sejam feitas.
  • Abordagem: Diferente de séries policiais tradicionais, o foco recai intensamente no desenvolvimento psicológico dos personagens e na análise do trauma. 

Informações sobre as Temporadas Seguintes

A série continuou explorando novos casos com a protagonista Louise Bergstein:

  • 2ª Temporada (Cego de Ódio): Louise investiga três assassinatos não resolvidos ligados a uma amiga de sua mãe.
  • 3ª Temporada (Perdidos): Abrange um tema sensível sobre uma mãe que abandona seus filhos menores e seus destinos. Também toca no assunto pedofilia.
    A temporada foca em abusos psicológicos e físicos, iniciando com o assassinato brutal de um casal de meia-idade.
    O começo da temporada cria um contraste entre uma mãe que abandona seus filhos e uma jovem mãe solo lutando pela guarda seu bebê.
    Vemos também bem no início da temporada a maneira desdenhosa como o colega trata Louise, como uma expressão preconceituosa se tratar de uma mulher, até que ela prove que é capaz. Que cansativo isso, não é mesmo? E ela tem a maior paciencia…

Comentando a série sob a perspectiva feminista

A Protagonista e a Quebra do Estereótipo

Diferente da versão de 2011, o foco aqui é Louise Bergstein. Do ponto de vista feminista, Louise é uma figura poderosa: ela não é apenas o “braço direito” do detetive Jan Michelsen; ela é a mente estratégica. Ela ocupa um espaço de autoridade intelectual (psicologia forense) em um ambiente policial majoritariamente masculino e pragmático. Sua jornada não é definida por um romance, mas por sua competência e pela profundidade com que lida com o trauma alheio.

A Violência de Gênero como Motor da Trama

A série lida com um tema central e doloroso: a violência sistemática contra mulheres. Sob uma lente feminista, a obra evita (na maioria das vezes) a “glamorização” do assassino. Em vez de focar apenas no “gênio maligno”, a narrativa dá peso ao desaparecimento das jovens e ao impacto devastador em suas famílias. No entanto, existe a crítica de que a série ainda utiliza o corpo feminino como o principal objeto de sacrifício para impulsionar a narrativa dos heróis, um tropo comum (Women in Refrigerators) que o gênero luta para superar.

Masculinidade Tóxica vs. Colaboração

O detetive Jan Michelsen representa uma masculinidade em transição. Embora ele seja o “homem de ação”, ele reconhece sua limitação diante da complexidade psicológica do caso e cede espaço para Louise. A série sugere que a força bruta não resolve crimes sistêmicos; é necessária a empatia e a análise, qualidades historicamente lidas como “femininas” e que aqui são a chave para a justiça.

A Vítima como Sujeito

Um ponto positivo da resenha feminista é como a série trata as vítimas. Elas não são meras fotos em um mural de evidências. Ao mostrar fragmentos de suas vidas antes do crime, a obra tenta devolver-lhes a humanidade, transformando o “crime da semana” em uma crítica social sobre a vulnerabilidade das mulheres e a falha das instituições em protegê-las.

ONDE ASSISTIR: HBO Max

Ficha Técnica: Aqueles Que Matam (2019)

  • Título Original: Den som dræber – Fanget af mørket
  • Título Internacional: Darkness: Those Who Kill
  • Ano de Lançamento: 2019 (Série Reboot)
  • País de Origem: Dinamarca
  • Gênero: Policial, Thriller psicológico, Nordic Noir
  • Criação: Ina Bruhn
  • Direção: Carsten Myllerup (Temporada 1)
  • Roteiro: Ina Bruhn, Per Daumiller, Tine Krull Petersen
  • Produção: Miso Film

Elenco Principal

  • Natalie Madueño como Louise Bergstein (Psicóloga Forense)
  • Kenneth M. Christensen como Jan Michelsen (Detetive – Temporada 1)
  • Tobias Santelmann como Peter Vinge (Temporada 1)
  • Helle Fagralid como Karina Hørup (Temporada 1)

Estrutura e Formato

  • Temporadas: 3 temporadas lançadas (até o momento).
  • Episódios por Temporada: 8 episódios.
  • Duração média: 45 minutos por episódio.
  • Idioma: Dinamarquês.

Enfim…

Aqueles Que Matam é um avanço por colocar uma mulher complexa no comando da narrativa analítica, mas ainda caminha na linha tênue entre a denúncia da misoginia e o uso do trauma feminino como entretenimento.

Indicação de Filme ou série similar

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Tenho 54 anos, sou mãe de um jovem trans e venho de uma linhagem de mulheres pardas que me ensinaram resistência. Sou da comunicação, artista por natureza e sempre ligada às artes. Convivo também com meu filho, artista visual, que apurou meu olhar técnico e sensível. Hoje assumo o feminismo de forma consciente, em grupo e em prática. Como mulher madura, mãe e parte de uma história racializada, assisto ao audiovisual buscando representatividade, silêncios, apagamentos e potência.

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