MEN (2022)
O Título Men embora simples, diz muito sobre essa narrativa, onde uma variedade de homens se mostram com um ponto em comum entre todos, a face do machismo.
Para se recuperar de um trauma vivido no término de um relacionamento problemático, uma mulher aluga uma propriedade em um local afastado, bucólico, arborizado, aliás, muito verde…
Ela nem sequer chega a aproveitar essa tranquilidade, quando logo se depara com a presença perturbadora de um homem, e a cada interação que ela tem com os homens locais, ainda mais perturbadora a situação se mostra.
Existe algo muito peculiar nessas interações que, para mim, pareceu um engano a princípio… depois percebi que não. Não é engano: é o dispositivo central do filme. Foi um recurso genial do autor para interpretar sensações que uma mulher pode ter em relação aos homens após um trauma como o que ela passou…
Ou ainda pode ser mais ampla esta interpretação, sendo este o ponto de vista da imensa maioria das mulheres, já que a maioria passa por pequenos traumas em suas relações desde cedo…
Se buscarmos saber sobre toda a simbologia desse filme, encontraremos inclusive algo de mitologia, mas não vou adentrar nisso, me firmando no meu ponto de vista como mulher feminista.
Há uma boa dose de body horror neste filme, somente mais para o final dele, muito gore a saber…
—- ALERTA DE SPOILER —-
Estas manifestações no filme me pareceram muito simbólicas no sentido de que o homem está ali recuperando seu poder e imputando culpa a esta mulher.
Ela interage com diversos homens que, a meu ver, representam nossa interação nos diversos âmbitos da vida, e que a masculinidade é treinada, é formatada para ser igual em todas elas, esperando mulheres igualmente formatadas para serem, submissas, maternais, indulgentes, cuidadoras, sentimentais, frágeis, dependentes e, sobretudo, sentir culpas.
No final do filme, o homem se abre e dá luz a uma réplica sua.
Ele está mostrando que é capaz de se reproduzir e repetir sua forma e comportamento idêntico a despeito da vontade ou permissão das mulheres.
Foi assim que percebi aquilo tudo.
No livro “A Criação do Patriarcado” de Gerda Lerner, aponta-se que nas primeiras eras com humanos, ali vivendo nas cavernas, as pessoas endeusavam as mulheres por ter a capacidade “sobrenatural” de reproduzir vidas e mais, a única forma de um bebê sobreviver era se a mulher que o pariu decidisse o alimentar em seu seio e aquecer em seu corpo. Era um poder assustador para os homens que até ali, nem sequer sabiam de sua participação na concepção. Deusas foram imaginadas e criadas. Mais adiante na história, Lerner aponta as mudanças graduais que levaram homens a criarem deuses e até a lhes conferir a capacidade de gerar, criar vida como as mulheres, um deus de forma masculina que deu a vida à humanidade, e criando uma mulher em segundo plano e uma série de outras questões que deram origem ao patriarcado. (recomendo a leitura ou a audição do livro)
No filme, o choque de ver aquele homem parindo suas cópias, tem muito disso. Seria uma metáfora sobre como o masculino, enquanto estrutura de poder, tenta se colocar como inevitável, autogerado e eterno. Como se dissesse: Você pode me abandonar, eu me mato, mas renasço. Você pode me negar, mas eu volto.
A reprodução do patriarcado, do seu poder, nesse caso, não é um milagre, e sim uma ameaça.
Mas aí ele fica ali a reproduzir mais do mesmo, os mesmos erros, a mesma falha, as mesmas cicatrizes ad eternum.
–ONDE VER: Emissora/Streaming: OPÇÕES (Na google e Youtube está mais em conta)
Ficha Técnica Detalhada:
- Título Original: Men
- Título no Brasil: Men: Faces do Medo
- Direção e Roteiro: Alex Garland
- Ano de Produção: 2022
- Países de Origem: Reino Unido, Estados Unidos
- Gênero: Terror, Suspense, Drama
- Duração: 1h 40min (100 min)
- Estúdio/Produtora: DNA Films
- Distribuição: A24 (EUA)Paris Filmes (Brasil)
- Classificação indicativa: +16
Elenco Principal:
- Jessie Buckley: Harper Marlowe
- Rory Kinnear: Geoffrey / Vários homens da vila
- Paapa Essiedu: James
- Gayle Rankin: Riley
- Sonoya Mizuno: Operadora de polícia
Equipe Técnica:
- Produção: Andrew Macdonald, Allon Reich
- Fotografia: Rob Hardy
- Edição: Barney Pilling
- Trilha Sonora: Ben Salisbury, Geoff Barrow
Esta é minha percepção até o momento…



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