O Sal da Terra – 1954

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Neste 1º de Maio, o FioMe indica O Sal da Terra (1954): um filme sobre greve, exploração, solidariedade e o momento em que as mulheres deixam de ser coadjuvantes da luta operária para ocupar a linha de frente. Feminismo e marxismo, não como teoria, mas como corpo na rua, trabalho doméstico politizado e comunidade em resistência.

O Sal da Terra acompanha uma greve de mineiros mexicano-americanos no Novo México, inspirada na greve real de 1951–1952 contra a Empire Zinc Company. A luta começa por melhores condições de trabalho e igualdade de tratamento em relação aos trabalhadores brancos, mas o filme cresce quando as mulheres dos mineiros passam a questionar também a desigualdade dentro de casa.

O ponto mais potente: quando uma ordem judicial impede os homens de continuarem nos piquetes, as mulheres assumem a linha de frente da greve. Aí o filme deixa de ser apenas sobre exploração trabalhista e vira também uma crítica direta ao patriarcado dentro da própria classe trabalhadora. É aquele momento delicioso em que a luta coletiva olha para o patrão e também para a cozinha de casa, sem pedir licença.

Curiosidades Sobre O Sal da Terra

A primeira grande curiosidade é que o filme foi feito por artistas perseguidos pela lista negra de Hollywood durante o macartismo. O diretor Herbert J. Biberman fazia parte dos chamados “Hollywood Ten”, grupo de profissionais que se recusou a colaborar com o Comitê de Atividades Antiamericanas. O produtor Paul Jarrico e o roteirista Michael Wilson também estavam ligados ao universo dos profissionais perseguidos por suspeitas de simpatia comunista.

Outra coisa maravilhosa: muitos dos atores não eram profissionais. O filme usou mineiros, familiares e pessoas ligadas à própria comunidade que viveu a greve. Juan Chacón, que interpreta Ramón Quintero, participou da luta real e era presidente do Local 890 do sindicato Mine, Mill and Smelter Workers.

A produção sofreu sabotagens e intimidações. Segundo o AFI, durante as filmagens no Novo México houve ameaças para que a equipe deixasse a cidade, disparos contra o carro de Clinton Jencks e incêndios ligados a espaços sindicais. A atriz Rosaura Revueltas também foi presa por uma questão de passaporte e depois voltou ao México, obrigando a equipe a completar parte do trabalho de forma improvisada.

O mais irônico: um filme pró-sindicato teve dificuldades justamente com setores sindicais do próprio cinema. O AFI registra que representantes ligados ao setor cinematográfico tentaram impedir a produção e que laboratórios se recusaram a processar o material filmado. Ou seja, o filme não foi apenas sobre repressão: ele foi feito atravessando repressão.

Ele quase não circulou nos Estados Unidos na época. O TCM observa que Salt of the Earth teve poucas exibições no país, mas ganhou reputação na Europa e foi redescoberto nos Estados Unidos nos anos 1960, em cineclubes e circuitos de repertório.

Em 1992, O Sal da Terra foi incluído no National Film Registry da Biblioteca do Congresso dos EUA, reconhecimento dado a filmes considerados relevantes cultural, histórica ou esteticamente.

Em pleno macartismo, O Sal da Terra filmou aquilo que Hollywood preferia não encarar: trabalhadores organizados, mulheres politizadas e uma comunidade mexicano-americana recusando a exploração como destino.

ONDE ASSISTIR: Youtube – legendado.

“O Sal da Terra” é baseado em uma greve real que retrata mineiros de origem mexicana no Novo México, destacando a igualdade salarial e o papel ativo das mulheres na greve.

Ficha Técnica Principal:

  • Direção: Herbert J. Biberman
  • Roteiro: Michael Wilson
  • Produção: Paul Jarrico
  • Elenco Principal: Rosaura Revueltas (Esperanza Quintero), Juan Chacón (Ramon Quintero), Will Geer (Xerife)

Tenho 54 anos, sou mãe de um jovem trans e venho de uma linhagem de mulheres pardas que me ensinaram resistência. Sou da comunicação, artista por natureza e sempre ligada às artes. Convivo também com meu filho, artista visual, que apurou meu olhar técnico e sensível. Hoje assumo o feminismo de forma consciente, em grupo e em prática. Como mulher madura, mãe e parte de uma história racializada, assisto ao audiovisual buscando representatividade, silêncios, apagamentos e potência.

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