A Mulher na Parede – 2015
A Mulher na Parede (The Woman in the Wall) aborda temas profundamente ligados ao feminismo, embora seja estruturada como um suspense psicológico.
Faz parte do roteiro um grupo de mulheres que se une em reuniões onde debatem buscando justiça por desmandos do passado recente.
O enredo utiliza o gênero de mistério para denunciar e explorar questões críticas sobre os direitos e o tratamento das mulheres na sociedade:
Asilos de Madalena: A trama é baseada na história real de instituições religiosas na Irlanda que, por décadas, aprisionaram mulheres consideradas “caídas”, incluindo mães solteiras e vítimas de abuso, submetendo-as a trabalhos forçados e retirando seus filhos para adoção forçada.
Controle do Corpo Feminino: A série expõe a violência sistêmica e institucionalizada do Estado e da Igreja sobre a autonomia reprodutiva e a liberdade feminina.
Trauma e Silenciamento: Através da protagonista Lorna Brady, a obra retrata as cicatrizes psicológicas permanentes deixadas por um sistema patriarcal que buscou silenciar e “corrigir” mulheres que não se encaixavam nos padrões morais da época.
Justiça Histórica: Ao trazer à tona esse passado sombrio, a série funciona como uma crítica social sobre como o sofrimento dessas mulheres foi ignorado pela sociedade durante anos.
Fatos reais que inspiraram a série
A minissérie é inspirada em um dos capítulos mais sombrios da história da Irlanda: os Asilos de Madalena (ou Lavanderias de Madalena) e as Casas de Mães e Bebês, instituições que operaram desde o século XVIII até 1996.
Aqui estão os fatos reais que fundamentam a trama:
As Lavanderias de Madalena: Eram instituições carcerárias administradas por freiras católicas para onde eram enviadas mulheres consideradas “caídas” ou “imorais”. Estima-se que 30.000 mulheres tenham sido confinadas nesses locais, onde eram forçadas a trabalhar exaustivamente em lavanderias comerciais sem remuneração.
Tratamento Punitivo: As mulheres sofriam abusos psicológicos, físicos e eram submetidas ao silêncio forçado para “expiar seus pecados”. O objetivo era reformar aquelas que não seguiam os rígidos códigos morais da época, como grávidas solteiras ou vítimas de abuso.
Adoção Forçada e Desaparecimentos: Em instituições correlatas, como os lares de mães e bebês, os filhos dessas mulheres eram frequentemente retirados delas de forma cruel. Muitas crianças foram dadas para adoção sem consentimento ou registro oficial.
Vagas Comuns e Escândalos: Em 1993, a descoberta de 155 corpos em uma vala comum em um antigo convento em Dublin trouxe o caso a público. Outro caso chocante foi o de Tuam, onde se acredita que quase 800 bebês e crianças foram enterrados clandestinamente em uma fossa séptica perto de um desses lares.
Reconhecimento Oficial: Somente após décadas de silenciamento o governo irlandês pediu desculpas formais às sobreviventes, como ocorreu em 2021. A série usa esses traumas reais para construir a personagem Lorna, que vive as consequências desse sistema violento.
Forte presença feminina na produção e direção da minisérie
Forte presença feminina em posições chave, especialmente na atuação e produção executiva.
- Produção Executiva: A protagonista Ruth Wilson (que interpreta Lorna Brady) é também uma das produtoras executivas da série. Harry Wootliff também é listado na produção executiva.
- Direção: A direção da série conta com Rachna Suri e Harry Wootliff.
- Autoria/Roteiro: Embora a criação e o roteiro principal sejam atribuídos a Joe Murtagh, a liderança feminina na produção e direção foi fundamental para a abordagem dos temas sensíveis da trama.
ONDE ASSISTIR: Paramount+ (também acessível via Prime Video Channels ou operadoras parceiras).
Ficha Técnica:
- Ano: 2023
- Gênero: Suspense Psicológico / Drama Policial
- Criador: Joe Murtagh
- Elenco Principal: Ruth Wilson (The Affair) e Daryl McCormack (Boa Sorte, Leo Grande)
- Duração: Minissérie com 6 episódios



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