Histórias Cruzadas – 2011

Duas mulheres negras em pé, com uniformes de domésticas ao lado de duas mulheres brancas sentadas em banco de praça em um fundo amarelo.
Tempo aproximado de leitura: 3 minutos -

Em Histórias Cruzadas Assisti a esse filme esperando me emocionar só de saber que tinha ali Viola Davis. Penso que ela carrega no olhar a herança do sofrimento racista, projeta isso nas grandes personagens que vive.

Sinopse da Google: Nos anos 60, no Mississippi, Skeeter é uma garota da alta sociedade que retorna determinada a se tornar escritora. Ela começa a entrevistar as mulheres negras da cidade, que deixaram suas vidas para trabalhar na criação dos filhos da elite branca, da qual a própria Skeeter faz parte. Aibileen Clark, a emprega da melhor amiga de Skeeter, é a primeira a conceder uma entrevista. Apesar das críticas, Skeeter e Aibileen continuam trabalhando juntas e, aos poucos, conseguem novas adesões.

Creio que este filme sirva meramente para entretenimento, pois, embora se proponha a falar sobre racismo e feminismo, ele faz isso de forma liberal e superficial, visto que em uma hora e meia de filme, dificilmente uma obra que se propõe a mostrar tantas vidas e lutas, como vemos aqui, se aprofunda na ambientação e menos ainda nos sujeitos…

Me parece uma obra com perspectiva liberal em que um sujeito se rebela diante da imposição social e mais tarde contra o racismo que percebe na própria célula familiar e depois entre amigas.

Sabemos que as mudanças destas estruturas seculares não ocorrem com a vontade de indivíduos, mas com décadas de lutas de grupos unidos e organizados.

Encontrei algumas críticas negativas sobre o filme por ser escrito e dirigido por pessoas brancas, também.

Só o incluo aqui por assistir e encontrar ali expressões (romantizadas) da realidade que podem ser úteis quando apresentadas para pessoas que não tenham noção alguma do quanto negros foram e são humilhados como parte de uma cultura racista, pode ilustrar enquanto entretém, diria…

E se isso despertar alguma consciência, alguma autoanálise, como mencionei antes, trata-se de um indivíduo que pode sim influenciar outros em uma mudança de visão, mas isso está muito aquém do que precisamos ver acontecer na sociedade, ainda que sob a força de leis.

A própria Viola resmungou após as gravações sobre como a obra mostrou de forma rasa e estereotipada tanto as posturas negras quanto as brancas (talvez não com estas palavras).

O que tem de feminista esta obra?

A escritora que entrevista as empregadas domésticas é uma mulher se destacando em seu meio, que tem um comportamento diferente da maioria de sua geração e classe, pois priorizou os estudos, e era mal vista por sua mãe, justamente por isso.

Uma cena mostra uma situação que penso ter sido exibida para mostrar sua postura feminista, quando sua mãe diz que ela deve esperar que o pretendente a venha buscar de carro, e a escritora diz preferir dirigir a caminhonete. (o que parece muito sensato em um encontro às cegas, não é mesmo?)

ONDE ASSISTIR?
Disney (assinatura) e Mercado Play (gratuito)

Ficha Técnica Completa:

  • Título Original: The Help
  • Direção e Roteiro: Tate Taylor (adaptado do livro de Kathryn Stockett)
  • Ano de Produção: 2011
  • Gênero: Drama
  • Duração: 146 minutos
  • País de Origem: EUA, Índia, Emirados Árabes Unidos
  • Distribuição: Disney / DreamWorks AdoroCinema +3

Elenco Principal:

  • Viola Davis como Aibileen Clark
  • Emma Stone como Eugenia ‘Skeeter’ Phelan
  • Octavia Spencer como Minny Jackson
  • Bryce Dallas Howard como Hilly Holbrook
  • Jessica Chastain como Celia Foote
  • Allison Janney como Charlotte Phelan
  • Sissy Spacek como Missus Walters
  • Cicely Tyson como Constantine Jefferson 

Equipe Técnica:

  • Produção: Michael Barnathan, Chris Columbus, Brunson Green
  • Fotografia: Stephen Goldblatt
  • Trilha Sonora: Thomas Newman
  • Direção de Arte: Curt Beech
  • Montagem: Hughes Winborne 

Detalhes Adicionais:

  • Orçamento: 25 milhões USD
  • Classificação Indicativa: 12 ou 14 anos (dependendo da fonte)
  • Locações: Greenwood, Mississippi, EUA 

Se esse tema te interessa, considere assistir outras obras como “Uma História Americana” sobre a luta para vencer o racismo, e “Them“, um terror sobre como os negros se adaptaram junto à elite branca no passado.

Tenho 54 anos, sou mãe de um jovem trans e venho de uma linhagem de mulheres pardas que me ensinaram resistência. Sou da comunicação, artista por natureza e sempre ligada às artes. Convivo também com meu filho, artista visual, que apurou meu olhar técnico e sensível. Hoje assumo o feminismo de forma consciente, em grupo e em prática. Como mulher madura, mãe e parte de uma história racializada, assisto ao audiovisual buscando representatividade, silêncios, apagamentos e potência.

Publicar comentário